Fragmentos: Um Convite para Olhar

EXPOSIÇÃO

Fragmentos

Um Convite para Olhar

"Ver o Mundo num Grão de Areia
E o Céu numa Flor silvestre
Ter o Infinito na palma da mão
E a Eternidade numa hora."

— William Blake

Fragmentos: Um Convite para Olhar

O que cabe em um fragmento?

Wittgenstein argumenta que os limites da nossa linguagem são os limites de nosso mundo. Ele sugere que a realidade que percebemos é limitada pelos conceitos e ferramentas que possuímos para descrevê-la. O que esta fora da linguagem é, para nós, o impensável, o impossível. Os limites físicos de uma poça d’agua, por exemplo, estão contidos todos os conceitos que importam para um casal de rãs: parceria, abrigo e sobrevivência. O que está fora da poça, como a arte e a filosofia, é impensável para eles. Logo, não faz parte de sua linguagem e assim não existe em seu mundo. Dentro desse limite, o universo delas é infinito.

Se toda visão é um “recorte”, quais são as “molduras” que definem o seu modo de ver o mundo?

Esta exposição, “Fragmentos”, marca o início de uma pesquisa artística continuada sobre os limites da linguagem e o poder da pintura em expandir nosso mundo.

Palavra do Artista

Esta é minha primeira exposição individual e eu gostaria de poder dizer que ela foi meticulosamente planejada. A verdade, porém, é que minha única certeza era a de que o guache seria a ferramenta principal. Com a data marcada, comecei a trabalhar nas obras sem ter um conceito definido em mente. Foi apenas ao finalizar a vigésima pintura que o tema se desenhou à minha frente, de forma clara e inegável: fragmentos. Eram pedaços de um mosaico que se revelou durante o próprio processo.

Ao olhar para este mosaico pronto, percebi que este trabalho resumia o artista que eu desejava ser: aquele que busca a beleza nas margens, a resiliência do que é frágil e a magia que se esconde no cotidiano. Nessa jornada, tive a inspiração de mestres como Hayao Miyazaki e Douglas C. Costa, além de autores que compõem minha formação e projeto de pesquisa como Ailton Krenak e William Blake.

Esta exposição, portanto, é a materialização de um processo de descoberta. Espero que, ao percorrê-la, você se sinta convidado não apenas a ver o resultado, mas a compartilhar da beleza de uma jornada de investigação e pesquisa.

Leandro D. Andrade

Curadoria

A produção recente de Leandro D. Andrade se desenvolve a partir de um olhar atento para o mundo natural e para as pequenas coisas que costumamos ignorar. Suas paisagens falam da natureza, da memória, da imaginação e da resistência. Cada cor, cada nuance de luz e sombra revela o interesse do artista por aquilo que costuma passar despercebido: o fragmento, o detalhe…

Ao longo da exposição, o público é convidado a percorrer quatro núcleos (Jornada, Memória, Natureza e Imaginário), que se relacionam como partes de uma mesma linha de pesquisa. Em cada um deles, fragmentos de experiências pessoais e coletivas se unem, formando um conjunto que fala sobre a força do ato de enxergar esses detalhes.

E é justamente nos detalhes que esta exposição habita: na delicadeza de uma folha, no silêncio de uma paisagem, em uma memória perdida. “Fragmentos” nos lembra que a arte, assim como a vida, é feita de partes (algumas nítidas, outras em processo de descoberta), e que talvez seja nesse intervalo entre o visível e o invisível que o mundo se revela por inteiro.

Michelly Bessa – Museóloga

Os núcleos da exposição

A exposição “Fragmentos” se desdobra em quatro núcleos temáticos: 

Da vida que floresce e resiste nas margens, pelas paisagens que guardam as memórias do tempo, com a imaginação que nos formam, e, por fim, o silêncio da ausência.

Fragmentos de
uma jornada

Um caminho, um sentimento de movimento e possibilidades.

Toda jornada possui um início. Neste núcleo, conhecemos fragmentos da formação do próprio artista, com locais e paisagens que o influenciaram.

Precisamos ser capazes de sonhar. Se não tivermos a coragem de ser radicalmente sonhadores, nosso futuro será um pesadelo.
Ailton Krenak

Fragmentos do Imaginário

Ecos da Imaginação de Hayao Miyazaki

O despertar do artista, ainda que não atuante na arte, começou com a vida e obra de Miyazaki, onde aprendeu a importância da contemplação e do respeito pela natureza.

A beleza está frequentemente nas coisas imperfeitas, nas memórias incompletas, na nostalgia por algo que talvez nunca tenha existido exatamente daquela forma.
Isao Takahata

Fragmentos da
natureza

Em cada detalhe, um universo completo.

Seguindo o preceito de William Blake de "ver o mundo num grão de areia", as obras aqui trazem luz para o que reside e resiste no detalhe.

Precisamos ativar a memória dos nossos ancestrais — sejam eles humanos, árvores ou rios — para construir outros futuros.
Ailton Krenak

Fragmentos da
Ausência

O papel da arte quando a linguagem falha

Aqui, nada pode ser apagado. O peso da ausência deixa marcas nestes fragmentos.

A beleza está frequentemente nas coisas imperfeitas, nas memórias incompletas, na nostalgia por algo que talvez nunca tenha existido exatamente daquela forma.
Isao Takahata

O Leandro tem um trabalho muito sensível, tecnicamente lindo e com uma construção poética e social muito relevante para o momento.

 

Juno Carreno
Musicista

O Trabalho de Leandro D Andrade, junto com a curadoria da Michelly Bessa, traz um encanto pelas coisinhas miúdas do dia a dia, e que são sempre cheias de magia. Que orgulho de prestigiar essa primeira exposição sua, Leandro!

 

Felipe Duarte
Artista Visual

Extraordinário trabalho. Delicadeza sem igual.

 

Marcio Carneiro
Artista Visual - Ex Secretário de Cultura de Taubaté

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Registros

Obras

Referências Teóricas

BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da Cultura. São Paulo: Brasiliense. 

FEUERBACH, Ludwig. A Essência do Cristianismo. Petrópolis: Vozes.

KRENAK, Ailton. Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras.

KRENAK, Ailton. Futuro Ancestral. São Paulo: Companhia das Letras.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: Edusp.

BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da Cultura. São Paulo: Brasiliense. 

BERGER, John. Modos de Ver. São Paulo: Gustavo Gili.

BLAKE, William. Augúrios da Inocência.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Imagens Apesar de Tudo. Lisboa: KKYM.

FEUERBACH, Ludwig. A Essência do Cristianismo. Petrópolis: Vozes.

KRENAK, Ailton. Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras.

KRENAK, Ailton. Futuro Ancestral. São Paulo: Companhia das Letras.

PEREC, Georges. O Infraordinário. São Paulo: Editora 34.

SANTOS, Milton. Por Uma Outra Globalização: Do Pensamento Único à Consciência Universal. Rio de Janeiro: Record.

SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. São Paulo: Edusp.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. A Atualidade de Walter Benjamin e de Theodor W. Adorno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: Edusp.

Principal Referência Artística

MIYAZAKI, Hayao (Diretor/Studio Ghibli). Filmografia selecionada:

  • Meu Amigo Totoro (1988)

  • Sussurros do Coração (1995)
  • A Viagem de Chihiro (2001)

  • O Mundo dos Pequeninos (2010, como roteirista)

A exposição “Fragmentos: Um Convite para Olhar”, uma realização da @arteeculturataubate, integra o projeto “Semeando Cores” de Margaria Fourier e acontece na Galeria “Mestre Justino”, com apoio da Prefeitura de Taubaté.

Artista: Leandro D Andrade
Curadoria: Michelly Bessa
Realização: Estúdio Arte & Cultura
Expografia: Michelly Bessa
Local: Galeria “Mestre Justino”
Apoio Institucional: Prefeitura de Taubaté

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