EXPOSIÇÃO
O que Brilha no Escuro
"Ver o Mundo num Grão de Areia
E o Céu numa Flor silvestre
Ter o Infinito na palma da mão
E a Eternidade numa hora."
— William Blake
A sociedade contemporânea é marcada por uma desconexão profunda da ecologia. O nosso olhar é desviado pela pressa, passamos pelas paisagens sem enxergá-las e tratamos a flora e fauna como um mero pano de fundo dos nossos fazeres. Além disso, temos uma tendência de medir a importância de algo pelo seu tamanho. O que é rasteiro e pequeno é ignorado e considerado inferior.
O que Brilha no Escuro
O que cabe em um fragmento?
Se toda visão é um “recorte”, quais são as “molduras” que definem o seu modo de ver o mundo?
Esta exposição, “Fragmentos”, marca o início de uma pesquisa artística continuada sobre os limites da linguagem e o poder da pintura em expandir nosso mundo.
Palavra do Artista
Esta é minha primeira exposição individual e eu gostaria de poder dizer que ela foi meticulosamente planejada. A verdade, porém, é que minha única certeza era a de que o guache seria a ferramenta principal. Com a data marcada, comecei a trabalhar nas obras sem ter um conceito definido em mente. Foi apenas ao finalizar a vigésima pintura que o tema se desenhou à minha frente, de forma clara e inegável: fragmentos. Eram pedaços de um mosaico que se revelou durante o próprio processo.
Ao olhar para este mosaico pronto, percebi que este trabalho resumia o artista que eu desejava ser: aquele que busca a beleza nas margens, a resiliência do que é frágil e a magia que se esconde no cotidiano. Nessa jornada, tive a inspiração de mestres como Hayao Miyazaki e Douglas C. Costa, além de autores que compõem minha formação e projeto de pesquisa como Ailton Krenak e William Blake.
Esta exposição, portanto, é a materialização de um processo de descoberta. Espero que, ao percorrê-la, você se sinta convidado não apenas a ver o resultado, mas a compartilhar da beleza de uma jornada de investigação e pesquisa.
Leandro D. Andrade
Curadoria
A produção recente de Leandro D. Andrade se desenvolve a partir de um olhar atento para o mundo natural e para as pequenas coisas que costumamos ignorar. Suas paisagens falam da natureza, da memória, da imaginação e da resistência. Cada cor, cada nuance de luz e sombra revela o interesse do artista por aquilo que costuma passar despercebido: o fragmento, o detalhe…
Ao longo da exposição, o público é convidado a percorrer quatro núcleos (Jornada, Memória, Natureza e Imaginário), que se relacionam como partes de uma mesma linha de pesquisa. Em cada um deles, fragmentos de experiências pessoais e coletivas se unem, formando um conjunto que fala sobre a força do ato de enxergar esses detalhes.
E é justamente nos detalhes que esta exposição habita: na delicadeza de uma folha, no silêncio de uma paisagem, em uma memória perdida. “Fragmentos” nos lembra que a arte, assim como a vida, é feita de partes (algumas nítidas, outras em processo de descoberta), e que talvez seja nesse intervalo entre o visível e o invisível que o mundo se revela por inteiro.
Michelly Bessa – Museóloga
Os núcleos da exposição
A exposição “Fragmentos” se desdobra em quatro núcleos temáticos:
Da vida que floresce e resiste nas margens, pelas paisagens que guardam as memórias do tempo, com a imaginação que nos formam, e, por fim, o silêncio da ausência.
Fragmentos de
uma jornada
Um caminho, um sentimento de movimento e possibilidades.
Toda jornada possui um início. Neste núcleo, conhecemos fragmentos da formação do próprio artista, com locais e paisagens que o influenciaram.
Fragmentos do Imaginário
Ecos da Imaginação de Hayao Miyazaki
O despertar do artista, ainda que não atuante na arte, começou com a vida e obra de Miyazaki, onde aprendeu a importância da contemplação e do respeito pela natureza.
Fragmentos da
natureza
Em cada detalhe, um universo completo.
Seguindo o preceito de William Blake de "ver o mundo num grão de areia", as obras aqui trazem luz para o que reside e resiste no detalhe.
Fragmentos da
Ausência
O papel da arte quando a linguagem falha
Aqui, nada pode ser apagado. O peso da ausência deixa marcas nestes fragmentos.
O Leandro tem um trabalho muito sensível, tecnicamente lindo e com uma construção poética e social muito relevante para o momento.
Juno Carreno
Musicista
O Trabalho de Leandro D Andrade, junto com a curadoria da Michelly Bessa, traz um encanto pelas coisinhas miúdas do dia a dia, e que são sempre cheias de magia. Que orgulho de prestigiar essa primeira exposição sua, Leandro!
Felipe Duarte
Artista Visual
Extraordinário trabalho. Delicadeza sem igual.
Marcio Carneiro
Artista Visual - Ex Secretário de Cultura de Taubaté
Obras
Referências Teóricas
BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da Cultura. São Paulo: Brasiliense.
FEUERBACH, Ludwig. A Essência do Cristianismo. Petrópolis: Vozes.
KRENAK, Ailton. Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras.
KRENAK, Ailton. Futuro Ancestral. São Paulo: Companhia das Letras.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: Edusp.
BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da Cultura. São Paulo: Brasiliense.
BERGER, John. Modos de Ver. São Paulo: Gustavo Gili.
BLAKE, William. Augúrios da Inocência.
DIDI-HUBERMAN, Georges. Imagens Apesar de Tudo. Lisboa: KKYM.
FEUERBACH, Ludwig. A Essência do Cristianismo. Petrópolis: Vozes.
KRENAK, Ailton. Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras.
KRENAK, Ailton. Futuro Ancestral. São Paulo: Companhia das Letras.
PEREC, Georges. O Infraordinário. São Paulo: Editora 34.
SANTOS, Milton. Por Uma Outra Globalização: Do Pensamento Único à Consciência Universal. Rio de Janeiro: Record.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. São Paulo: Edusp.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. A Atualidade de Walter Benjamin e de Theodor W. Adorno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: Edusp.
Principal Referência Artística
MIYAZAKI, Hayao (Diretor/Studio Ghibli). Filmografia selecionada:
Meu Amigo Totoro (1988)
- Sussurros do Coração (1995)
A Viagem de Chihiro (2001)
O Mundo dos Pequeninos (2010, como roteirista)
A exposição “Fragmentos: Um Convite para Olhar”, uma realização da @arteeculturataubate, integra o projeto “Semeando Cores” de Margaria Fourier e acontece na Galeria “Mestre Justino”, com apoio da Prefeitura de Taubaté.
Artista: Leandro D Andrade
Curadoria: Michelly Bessa
Realização: Estúdio Arte & Cultura
Expografia: Michelly Bessa
Local: Galeria “Mestre Justino”
Apoio Institucional: Prefeitura de Taubaté
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